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	<title>Objetiva</title>
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	<title>Objetiva</title>
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		<title>TCU Calcula em 11,3% a Alíquota de Referência da CBS para 2027</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 21:34:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em sess&#227;o extraordin&#225;ria de 28 de outubro de 2026, o Plen&#225;rio do TCU aprovou o c&#225;lculo da al&#237;quota de refer&#234;ncia da CBS para 2027 em 11,3% e do redutor das compras p&#250;blicas em 44,2% (TC 006.529/2026-7, relator Ministro Vital do R&#234;go). Os percentuais seguem para o Senado, que deve fix&#225;-los por resolu&#231;&#227;o at&#233; 15 de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Em sess&atilde;o extraordin&aacute;ria de 28 de outubro de 2026, o Plen&aacute;rio do TCU aprovou o c&aacute;lculo da al&iacute;quota de refer&ecirc;ncia da CBS para 2027 em 11,3% e do redutor das compras p&uacute;blicas em 44,2% (TC 006.529/2026-7, relator Ministro Vital do R&ecirc;go). Os percentuais seguem para o Senado, que deve fix&aacute;-los por resolu&ccedil;&atilde;o at&eacute; 15 de dezembro de 2026. Abaixo, o que foi calculado e o que isso significa para as empresas.</p>
<p>O Que Foi Calculado</p>
<p>O c&aacute;lculo segue o art. 130 do ADCT e os arts. 349 a 353 e 370 da LC 214/2025, com base na metodologia homologada pelo Ac&oacute;rd&atilde;o 2.833/2025-TCU-Plen&aacute;rio. O resultado foi 11,3468%, arredondado para 11,3%, percentual que mant&eacute;m a arrecada&ccedil;&atilde;o federal equivalente &agrave; de PIS, Cofins, IPI e IOF-Seguros entre 2012 e 2021, em propor&ccedil;&atilde;o do PIB.</p>
<p>O redutor de 44,2% incide sobre as aquisi&ccedil;&otilde;es da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica direta, autarquias e funda&ccedil;&otilde;es, para que a CBS nessas compras reproduza a carga atual dos tributos substitu&iacute;dos.</p>
<p>O n&uacute;mero ainda depende de defini&ccedil;&otilde;es pendentes, como as al&iacute;quotas do Imposto Seletivo e a lista de produtos da Zona Franca que manter&atilde;o IPI. O TCU tamb&eacute;m incluiu redu&ccedil;&atilde;o de 29,3% do hiato de conformidade, ponto em que divergiu da Receita Federal.</p>
<p>O Que Isso Significa na Pr&aacute;tica</p>
<p>A al&iacute;quota de refer&ecirc;ncia &eacute; um par&acirc;metro, n&atilde;o necessariamente a al&iacute;quota cobrada: pelo art. 14 da LC 214/2025, a al&iacute;quota-padr&atilde;o ser&aacute; fixada por lei espec&iacute;fica. Al&eacute;m disso, a exig&ecirc;ncia de neutralidade impede que o c&aacute;lculo seja usado para elevar a carga federal, e ele ser&aacute; refeito a cada ano da transi&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Os 11,3% n&atilde;o devem ser comparados diretamente com a soma de PIS e Cofins, pois a CBS adota n&atilde;o cumulatividade ampla, com cr&eacute;dito sobre as aquisi&ccedil;&otilde;es em geral. O efeito real depende da estrutura de custos de cada empresa.</p>
<p>Dois grupos merecem aten&ccedil;&atilde;o. Optantes do Simples que vendem para empresas geram cr&eacute;dito menor ao adquirente e devem avaliar a apura&ccedil;&atilde;o da CBS pelo regime regular; fornecedores do poder p&uacute;blico devem incorporar o redutor de 44,2% aos pre&ccedil;os e contratos.</p>
<p>A palavra final cabe ao Senado e, quanto &agrave; al&iacute;quota-padr&atilde;o, ao legislador. At&eacute; l&aacute;, os 11,3% servem como refer&ecirc;ncia de planejamento para precifica&ccedil;&atilde;o, revis&atilde;o de contratos e adapta&ccedil;&atilde;o de sistemas.</p>
<p>Refer&ecirc;ncias</p>
<p>BRASIL. Tribunal de Contas da Uni&atilde;o. TC 006.529/2026-7. Relator: Ministro Vital do R&ecirc;go. Plen&aacute;rio, sess&atilde;o extraordin&aacute;ria de 28 out. 2026.</p>
<p>BRASIL. Tribunal de Contas da Uni&atilde;o. Ac&oacute;rd&atilde;o 2.833/2025-TCU-Plen&aacute;rio. Relator: Ministro Vital do R&ecirc;go. Julgado em 3 dez. 2025.</p>
<p>BRASIL. Lei Complementar n&ordm; 214/2025, arts. 14, 349 a 353 e 370.</p>
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		<item>
		<title>STJ Garante A Restituição De ISS Pago Por Empresa Do Simples Nacional Independentemente De Prova De Transferência Do Encargo Financeiro</title>
		<link>http://objetiva.top/2026/10/21/stj-garante-a-restituicao-de-iss-pago-por-empresa-do-simples-nacional-independentemente-de-prova-de-transferencia-do-encargo-financeiro/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 22:45:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Segunda Turma do STJ, no julgamento do Recurso Especial n&#186; 2.282.297/SP, de relatoria do Ministro Marco Aur&#233;lio Bellizze, conclu&#237;do em sess&#227;o de 6 de outubro de 2026 e publicado no DJEN de 16 de outubro de 2026, decidiu, por unanimidade, que a empresa optante pelo Simples Nacional n&#227;o precisa comprovar a aus&#234;ncia de repasse [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>A Segunda Turma do STJ, no julgamento do Recurso Especial n&ordm; 2.282.297/SP, de relatoria do Ministro Marco Aur&eacute;lio Bellizze, conclu&iacute;do em sess&atilde;o de 6 de outubro de 2026 e publicado no DJEN de 16 de outubro de 2026, decidiu, por unanimidade, que a empresa optante pelo Simples Nacional n&atilde;o precisa comprovar a aus&ecirc;ncia de repasse do encargo financeiro ao tomador do servi&ccedil;o para obter a restitui&ccedil;&atilde;o do ISS recolhido indevidamente. Para o colegiado, a forma de imposi&ccedil;&atilde;o do ISS no regime unificado da LC n&ordm; 123/2006 confere ao imposto fei&ccedil;&atilde;o de tributo direto, o que torna inaplic&aacute;veis as exig&ecirc;ncias do art. 166 do CTN. A seguir, apresentamos o caso, o crit&eacute;rio adotado pelo STJ para classificar o ISS e os reflexos pr&aacute;ticos da decis&atilde;o.</p>
<p>O Caso e a Controv&eacute;rsia</p>
<p>A a&ccedil;&atilde;o foi proposta por uma produtora audiovisual, optante pelo Simples Nacional desde 2010, contra o Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo. A empresa pediu a declara&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dico-tribut&aacute;ria quanto ao ISS sobre produ&ccedil;&atilde;o, grava&ccedil;&atilde;o, edi&ccedil;&atilde;o, legendagem e distribui&ccedil;&atilde;o de filmes e v&iacute;deos, al&eacute;m da restitui&ccedil;&atilde;o do que foi pago nos cinco anos anteriores ao ajuizamento.</p>
<p>A senten&ccedil;a reconheceu a n&atilde;o incid&ecirc;ncia do imposto sobre essas atividades, mas negou a devolu&ccedil;&atilde;o dos valores. O fundamento foi o art. 166 do CTN e a S&uacute;mula 546 do STF: segundo o ju&iacute;zo, a autora n&atilde;o demonstrou ter suportado o encargo financeiro do tributo nem estar autorizada pelos tomadores a receber o ind&eacute;bito.</p>
<p>O TJSP reformou a senten&ccedil;a nesse ponto, entendendo que, no Simples Nacional, o ISS &eacute; calculado sobre o faturamento e suportado pelo pr&oacute;prio prestador. O Munic&iacute;pio recorreu ao STJ sustentando que o ISS &eacute;, por natureza, tributo indireto sobre o consumo e que a op&ccedil;&atilde;o pelo regime simplificado n&atilde;o alteraria essa natureza, invocando ainda o Tema 398 dos recursos repetitivos. A n&atilde;o incid&ecirc;ncia do ISS sobre as atividades da empresa n&atilde;o foi objeto do recurso especial.</p>
<p>O Crit&eacute;rio do STJ: a Forma de Imposi&ccedil;&atilde;o Define a Natureza do ISS</p>
<p>O relator partiu da premissa de que n&atilde;o h&aacute;, na lei, uma lista de tributos sujeitos ao art. 166 do CTN e de que, em tese, qualquer custo pode ser embutido no pre&ccedil;o. Por isso, a aplica&ccedil;&atilde;o do dispositivo, que condiciona a devolu&ccedil;&atilde;o de valores reconhecidamente indevidos, deve ser feita com cautela e &agrave; luz da jurisprud&ecirc;ncia espec&iacute;fica sobre o ISS.</p>
<p>Essa jurisprud&ecirc;ncia admite que o ISS seja direto ou indireto conforme o caso concreto. Quando o imposto incide sobre o pre&ccedil;o de cada servi&ccedil;o e &eacute; destacado na nota para ser suportado pelo tomador, prevalece a natureza indireta e incide o art. 166, como fixado no Tema 398 para a loca&ccedil;&atilde;o de bens m&oacute;veis. Quando recolhido em valor fixo anual, como nas sociedades uniprofissionais, o ISS tem fei&ccedil;&atilde;o direta e a prova da n&atilde;o repercuss&atilde;o &eacute; dispensada (EREsp 724.684/RJ e REsp 1.121.634/PR).</p>
<p>O ac&oacute;rd&atilde;o retomou o crit&eacute;rio j&aacute; enunciado pela Corte: o que distingue o tributo direto do indireto &eacute; a exist&ecirc;ncia de norma que autorize a repercuss&atilde;o jur&iacute;dica do encargo. Se o patrim&ocirc;nio desfalcado pelo tributo &eacute; o da pr&oacute;pria pessoa jur&iacute;dica obrigada ao recolhimento, a imposi&ccedil;&atilde;o &eacute; direta e a restitui&ccedil;&atilde;o se rege pelo art. 165 do CTN, sem as condicionantes do art. 166.</p>
<p>O Simples Nacional e a Inaplicabilidade do Art. 166 do CTN</p>
<p>Aplicando esse crit&eacute;rio &agrave; LC n&ordm; 123/2006, o STJ destacou que o ISS do optante &eacute; recolhido mensalmente em documento &uacute;nico de arrecada&ccedil;&atilde;o, ao lado de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. O valor resulta da aplica&ccedil;&atilde;o de al&iacute;quotas efetivas sobre a receita bruta, definidas por faixas de faturamento, e a parcela de cada tributo &eacute; obtida pelos percentuais de partilha previstos nos anexos da lei.</p>
<p>Nessa sistem&aacute;tica, o imposto n&atilde;o incide sobre o pre&ccedil;o de cada servi&ccedil;o nem &eacute; destacado na nota fiscal para repasse ao contratante. Como reconhecido pelo TJSP e confirmado pela Turma, o montante do ISS s&oacute; &eacute; conhecido ap&oacute;s a apura&ccedil;&atilde;o do faturamento do per&iacute;odo, o que aproxima o regime das hip&oacute;teses em que o STJ j&aacute; reconheceu a natureza direta do imposto.</p>
<p>Com isso, o colegiado afastou a aplica&ccedil;&atilde;o das S&uacute;mulas 71 e 546 do STF e distinguiu o caso do Tema 398, negando provimento ao recurso do Munic&iacute;pio e majorando os honor&aacute;rios sucumbenciais. Cabe uma ressalva: o pr&oacute;prio ac&oacute;rd&atilde;o lembra que o regime unificado n&atilde;o abrange o ISS devido por substitui&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria, por reten&ccedil;&atilde;o na fonte ou na importa&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os (art. 13, &sect; 1&ordm;, XIV, da LC n&ordm; 123/2006), situa&ccedil;&otilde;es que exigem an&aacute;lise pr&oacute;pria.</p>
<p>A decis&atilde;o remove o principal obst&aacute;culo pr&aacute;tico &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de repeti&ccedil;&atilde;o de ISS ajuizadas por empresas do Simples Nacional: a prova da n&atilde;o repercuss&atilde;o, frequentemente imposs&iacute;vel de produzir. Embora n&atilde;o se trate de precedente vinculante, o julgado &eacute; un&acirc;nime, alinha-se &agrave; jurisprud&ecirc;ncia consolidada sobre sociedades uniprofissionais e oferece fundamento s&oacute;lido para pedidos de restitui&ccedil;&atilde;o ou compensa&ccedil;&atilde;o de ISS indevido.</p>
<p>Para as empresas optantes que recolheram ISS sobre atividades n&atilde;o tribut&aacute;veis ou com base de c&aacute;lculo indevida, &eacute; recomend&aacute;vel revisar os recolhimentos dos &uacute;ltimos cinco anos, observado o prazo prescricional, e avaliar a medida judicial adequada para recuperar esses valores.</p>
<p>Refer&ecirc;ncias</p>
<p>BRASIL. Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. Segunda Turma. Recurso Especial n&ordm; 2.282.297/SP (Registro 2026/0060665-1). Relator: Ministro Marco Aur&eacute;lio Bellizze. Julgado em 6 de outubro de 2026. Publicado no DJEN/CNJ em 16 de outubro de 2026. Inteiro teor: https://rotadajurisprudencia.com.br/wp-content/uploads/2026/10/202600606651-1.pdf</p>
<p>BRASIL. Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. Tema Repetitivo n&ordm; 398 (ISS sobre loca&ccedil;&atilde;o de bens m&oacute;veis &ndash; exig&ecirc;ncia de prova da n&atilde;o repercuss&atilde;o, art. 166 do CTN).</p>
<p>BRASIL. Lei Complementar n&ordm; 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 13 e 18. C&oacute;digo Tribut&aacute;rio Nacional (Lei n&ordm; 5.172/1966), arts. 165 e 166.</p>
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		<title>STF Reconhece a possibilidade de Excluir Créditos Presumidos de ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins</title>
		<link>http://objetiva.top/2026/10/13/stf-reconhece-a-possibilidade-de-excluir-creditos-presumidos-de-icms-da-base-de-calculo-do-pis-e-da-cofins/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 16:43:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 7 de outubro de 2026, o Plen&#225;rio do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento do Recurso Extraordin&#225;rio n&#186; 835.818, com repercuss&#227;o geral reconhecida (Tema 843), e decidiu, por maioria, que os cr&#233;ditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal n&#227;o podem ser inclu&#237;dos na base de c&#225;lculo do PIS e da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Em 7 de outubro de 2026, o Plen&aacute;rio do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento do Recurso Extraordin&aacute;rio n&ordm; 835.818, com repercuss&atilde;o geral reconhecida (Tema 843), e decidiu, por maioria, que os cr&eacute;ditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal n&atilde;o podem ser inclu&iacute;dos na base de c&aacute;lculo do PIS e da Cofins. A tese fixada declara incompat&iacute;vel com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal essa inclus&atilde;o. A seguir, examinamos os fundamentos da corrente vencedora, os argumentos da diverg&ecirc;ncia e os reflexos pr&aacute;ticos do precedente para as empresas benefici&aacute;rias de incentivos estaduais.</p>
<p>Os Fundamentos da Maioria</p>
<p>O entendimento vencedor partiu do voto do relator original, ministro Marco Aur&eacute;lio, proferido no Plen&aacute;rio Virtual antes de sua aposentadoria. Para o relator, os cr&eacute;ditos presumidos decorrem de ren&uacute;ncia fiscal do ente estadual e t&ecirc;m por efeito reduzir o imposto devido, sem representar disponibilidade econ&ocirc;mica ou riqueza nova para a empresa.</p>
<p>Segundo o voto, ainda que o cr&eacute;dito seja registrado contabilmente como ingresso, ele n&atilde;o se converte em receita apta a compor a base do PIS e da Cofins. Distingue-se, assim, o ingresso de receita nova da mera redu&ccedil;&atilde;o de um custo tribut&aacute;rio &ndash; situa&ccedil;&otilde;es que podem ter efeito econ&ocirc;mico semelhante, mas que possuem natureza jur&iacute;dica distinta.</p>
<p>Na sess&atilde;o de 7 de outubro, o ministro Dias Toffoli reviu sua posi&ccedil;&atilde;o anterior para acompanhar o relator, destacando que a tributa&ccedil;&atilde;o permitiria &agrave; Uni&atilde;o reduzir, por via indireta, benef&iacute;cios que os Estados concederam dentro de sua compet&ecirc;ncia, com preju&iacute;zo &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica. Formaram a maioria, al&eacute;m do relator e de Toffoli, os votos j&aacute; proferidos pela ministra Rosa Weber e pelos ministros Ricardo Lewandowski e Lu&iacute;s Roberto Barroso, bem como os da ministra C&aacute;rmen L&uacute;cia e do ministro Edson Fachin.</p>
<p>A Diverg&ecirc;ncia Vencida</p>
<p>A corrente divergente sustentou que o cr&eacute;dito presumido se incorpora definitivamente ao patrim&ocirc;nio da empresa. Para o ministro Gilmar Mendes, o contribuinte deixa de desembolsar um valor que permanece consigo, sem obriga&ccedil;&atilde;o de restitui&ccedil;&atilde;o ou repasse, o que caracterizaria vantagem econ&ocirc;mica efetiva, independentemente de sua origem em ren&uacute;ncia fiscal.</p>
<p>O ministro Alexandre de Moraes acrescentou argumento ligado ao pacto federativo: excluir o cr&eacute;dito presumido da base das contribui&ccedil;&otilde;es permitiria que o Estado, ainda que indiretamente, reduzisse a incid&ecirc;ncia de tributos federais. Acompanharam essa linha os ministros Luiz Fux e Nunes Marques, totalizando quatro votos vencidos.</p>
<p>A maioria, por&eacute;m, enxergou o problema federativo pelo &acirc;ngulo oposto: &eacute; a cobran&ccedil;a federal que esvaziaria parcialmente o incentivo concedido pelo Estado no exerc&iacute;cio de sua compet&ecirc;ncia. Prevaleceu, assim, a leitura de que o conceito constitucional de receita n&atilde;o abrange valores que apenas reduzem uma obriga&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria, ainda que melhorem o resultado da empresa.</p>
<p>Reflexos Pr&aacute;ticos para as Empresas</p>
<p>Por se tratar de tese fixada em repercuss&atilde;o geral, o entendimento dever&aacute; orientar o julgamento de processos semelhantes em todas as inst&acirc;ncias. Empresas que fruem cr&eacute;ditos presumidos de ICMS passam a contar com fundamento constitucional s&oacute;lido para excluir esses valores da base de c&aacute;lculo do PIS e da Cofins.</p>
<p>Para quem j&aacute; discute o tema judicialmente, o precedente fortalece a pretens&atilde;o de restitui&ccedil;&atilde;o ou compensa&ccedil;&atilde;o dos valores recolhidos nos per&iacute;odos n&atilde;o prescritos. Para quem ainda n&atilde;o tem a&ccedil;&atilde;o, conv&eacute;m avaliar o ajuizamento com brevidade: a not&iacute;cia oficial do julgamento n&atilde;o menciona modula&ccedil;&atilde;o de efeitos, mas o ac&oacute;rd&atilde;o ainda n&atilde;o foi publicado, e eventual oposi&ccedil;&atilde;o de embargos de declara&ccedil;&atilde;o pela Uni&atilde;o deve ser acompanhada.</p>
<p>Tamb&eacute;m &eacute; importante delimitar o alcance da decis&atilde;o. O Tema 843 trata exclusivamente do PIS e da Cofins; a tributa&ccedil;&atilde;o dos incentivos de ICMS pelo IRPJ e pela CSLL, sobretudo ap&oacute;s a Lei n&ordm; 14.789/2023, segue em debate pr&oacute;prio e n&atilde;o foi resolvida neste julgamento. Recomenda-se, ainda, revisar a escritura&ccedil;&atilde;o e a documenta&ccedil;&atilde;o que comprovam a natureza de cr&eacute;dito presumido do benef&iacute;cio fru&iacute;do.</p>
<p>O julgamento encerra uma discuss&atilde;o iniciada ainda no Plen&aacute;rio Virtual e confirma, em favor do contribuinte, que redu&ccedil;&atilde;o de custo tribut&aacute;rio n&atilde;o se confunde com receita. Para empresas benefici&aacute;rias de incentivos estaduais, abre-se uma oportunidade concreta de recupera&ccedil;&atilde;o de valores e de redu&ccedil;&atilde;o da carga das contribui&ccedil;&otilde;es, a ser avaliada caso a caso.</p>
<p>Refer&ecirc;ncias</p>
<p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordin&aacute;rio n&ordm; 835.818 (Tema 843 da Repercuss&atilde;o Geral). Relator original: Min. Marco Aur&eacute;lio. Julgamento conclu&iacute;do pelo Plen&aacute;rio em 7 out. 2026. Ac&oacute;rd&atilde;o pendente de publica&ccedil;&atilde;o. Dispon&iacute;vel em: https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/tema.asp?num=843</p>
<p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. &ldquo;STF exclui cr&eacute;ditos presumidos de ICMS da base de c&aacute;lculo do PIS e da Cofins&rdquo;. Not&iacute;cias STF, 7 out. 2026. Dispon&iacute;vel em: https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-exclui-creditos-presumidos-de-icms-da-base-de-calculo-do-pis-e-da-cofins/</p>
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		<title>CARF Reconhece Direito à Compensação de Base Negativa de CSLL Formada pelo Próprio Lançamento de Ofício</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 22:47:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 2&#170; Turma Ordin&#225;ria da 1&#170; C&#226;mara da 1&#170; Se&#231;&#227;o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sess&#227;o de 19 de agosto de 2026, julgou o Recurso Volunt&#225;rio no processo administrativo n&#186; 10283.721485/2012-45, interposto pela Companhia de Navega&#231;&#227;o da Amaz&#244;nia. Por unanimidade, no Ac&#243;rd&#227;o n&#186; 1102-002.119, o colegiado negou provimento quanto &#224; adi&#231;&#227;o do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">A 2&ordf; Turma Ordin&aacute;ria da 1&ordf; C&acirc;mara da 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sess&atilde;o de 19 de agosto de 2026, julgou o Recurso Volunt&aacute;rio no processo administrativo n&ordm; 10283.721485/2012-45, interposto pela Companhia de Navega&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia. Por unanimidade, no Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1102-002.119, o colegiado negou provimento quanto &agrave; adi&ccedil;&atilde;o do excesso de deprecia&ccedil;&atilde;o de embarca&ccedil;&otilde;es vinculado ao Adicional ao Frete para Renova&ccedil;&atilde;o da Marinha Mercante (AFRMM) &agrave; base de c&aacute;lculo da Contribui&ccedil;&atilde;o Social sobre o Lucro L&iacute;quido (CSLL), mas deu parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito da empresa de compensar, no limite de 30%, saldo de base de c&aacute;lculo negativa de CSLL de per&iacute;odos anteriores &ndash; ainda que essa base positiva s&oacute; tenha surgido em raz&atilde;o dos pr&oacute;prios ajustes promovidos pelo lan&ccedil;amento de of&iacute;cio. A decis&atilde;o enfrenta dois temas distintos, tratados a seguir: a mec&acirc;nica de neutralidade tribut&aacute;ria aplic&aacute;vel aos recursos do AFRMM e o alcance do direito de compensar preju&iacute;zos fiscais quando a positividade da base decorre exclusivamente da autua&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Compensa&ccedil;&atilde;o de Base Negativa Formada pela Pr&oacute;pria Autua&ccedil;&atilde;o</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A Companhia de Navega&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia havia apurado, na Declara&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&otilde;es Econ&ocirc;mico-Fiscais da Pessoa Jur&iacute;dica (DIPJ) relativa ao ano-calend&aacute;rio de 2008, base de c&aacute;lculo negativa de CSLL de R$ 4.623.279,10. Com a recomposi&ccedil;&atilde;o promovida pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; que incluiu a adi&ccedil;&atilde;o controvertida do excesso de deprecia&ccedil;&atilde;o &ndash;, a base passou a positiva em R$ 10.132.992,94. Diante desse cen&aacute;rio, a empresa requereu, j&aacute; na impugna&ccedil;&atilde;o, a compensa&ccedil;&atilde;o do saldo de base negativa de per&iacute;odos anteriores, nos termos do artigo 16 da Lei n&ordm; 9.065/1995, que limita o aproveitamento a 30% da base de c&aacute;lculo apurada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) havia indeferido o pedido sob o argumento de que os documentos juntados n&atilde;o comprovariam a exist&ecirc;ncia de saldo dispon&iacute;vel. Para tanto, examinou a Linha 19 da Ficha 36A da DIPJ (&ldquo;Cr&eacute;ditos Fiscais CSLL &ndash; Diferen&ccedil;as Tempor&aacute;rias &ndash; Base de C&aacute;lculo Negativa&rdquo;) e o balancete da conta de CSLL diferida, ambos com saldo zerado ou integralmente baixado no exerc&iacute;cio, concluindo pela aus&ecirc;ncia de prova do direito.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O CARF reformou esse entendimento. A relatora, conselheira Cristiane Pires McNaughton, apontou que a DRJ confundiu o ativo fiscal diferido &ndash; registro cont&aacute;bil que depende de expectativa de lucros futuros e &eacute; baixado por prud&ecirc;ncia &ndash; com o estoque fiscal de base de c&aacute;lculo negativa, controlado em bases distintas e n&atilde;o extinto pela baixa cont&aacute;bil. O elemento probat&oacute;rio correto seria a Linha 03 da Ficha 61A da DIPJ (&ldquo;Saldo de Base de C&aacute;lculo Negativa de CSLL &ndash; Atividades em Geral&rdquo;), que registrava R$ 42.102.264,08, informa&ccedil;&atilde;o prestada pela pr&oacute;pria contribuinte e nunca contestada pelo Fisco.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O colegiado tamb&eacute;m afastou o argumento de que a compensa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poderia ser reconhecida por n&atilde;o ter sido exercida na declara&ccedil;&atilde;o original. Como a base do per&iacute;odo era negativa, n&atilde;o havia, &agrave; &eacute;poca, base positiva sobre a qual exercer a op&ccedil;&atilde;o; essa oportunidade somente surgiu com o pr&oacute;prio lan&ccedil;amento de of&iacute;cio, e foi exercida no primeiro momento processual dispon&iacute;vel &ndash; a impugna&ccedil;&atilde;o. Com isso, a base de R$ 10.132.992,94 foi reduzida em R$ 3.039.897,88 (30%), para R$ 7.093.095,06, com a consequente redu&ccedil;&atilde;o proporcional do principal, da multa de of&iacute;cio e dos juros de mora, mediante confirma&ccedil;&atilde;o do saldo pela unidade preparadora na fase de execu&ccedil;&atilde;o do julgado.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Controv&eacute;rsia sobre o Excesso de Deprecia&ccedil;&atilde;o Vinculado ao AFRMM</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O regime do AFRMM, disciplinado pelo artigo 68 da Lei n&ordm; 4.506/1964 e pelo artigo 402 do Decreto n&ordm; 3.000/1999 (RIR/99), estabelece mecanismo de neutralidade: os recursos do adicional aplicados na aquisi&ccedil;&atilde;o de embarca&ccedil;&otilde;es n&atilde;o integram a receita bruta tribut&aacute;vel, mas, em contrapartida, s&atilde;o registrados como deprecia&ccedil;&atilde;o adicional dos navios, de modo que a deprecia&ccedil;&atilde;o total &ndash; normal mais adicional &ndash; n&atilde;o pode ultrapassar o custo de aquisi&ccedil;&atilde;o do bem. A Companhia de Navega&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia excluiu R$ 25.296.586,57 relacionados ao AFRMM da base de c&aacute;lculo da CSLL, mas n&atilde;o adicionou o correspondente excesso de deprecia&ccedil;&atilde;o de R$ 11.908.478,75, ajuste que j&aacute; havia realizado na apura&ccedil;&atilde;o do IRPJ.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A defesa sustentou que as bases de c&aacute;lculo do IRPJ e da CSLL s&atilde;o distintas e que a exig&ecirc;ncia de reproduzir na CSLL um ajuste t&iacute;pico da legisla&ccedil;&atilde;o do imposto de renda dependeria de previs&atilde;o legal espec&iacute;fica, inexistente no caso. A empresa invocou precedentes administrativos sobre royalties, despesas consideradas desnecess&aacute;rias e o Programa de Alimenta&ccedil;&atilde;o do Trabalhador, nos quais se afastou a extens&atilde;o autom&aacute;tica de limita&ccedil;&otilde;es do IRPJ &agrave; CSLL.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O CARF distinguiu essas situa&ccedil;&otilde;es. Segundo a relatora, os precedentes citados tratavam de despesas efetivamente incorridas, cuja dedutibilidade foi limitada por raz&otilde;es extrafiscais pr&oacute;prias do IRPJ &ndash; da&iacute; n&atilde;o se estenderem &agrave; CSLL. J&aacute; o excesso de deprecia&ccedil;&atilde;o vinculado ao AFRMM n&atilde;o representa despesa real, mas encargo sem substrato econ&ocirc;mico, cuja glosa decorre da correta apura&ccedil;&atilde;o do resultado do exerc&iacute;cio, base de c&aacute;lculo da pr&oacute;pria CSLL nos termos do artigo 2&ordm; da Lei n&ordm; 7.689/1988. O colegiado invocou ainda o artigo 57 da Lei n&ordm; 8.981/1995 e o artigo 44 da IN SRF n&ordm; 390/2004, que estendem &agrave; CSLL as normas de deprecia&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;veis ao IRPJ.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A turma refor&ccedil;ou um argumento de coer&ecirc;ncia: a empresa n&atilde;o poderia usufruir da exclus&atilde;o da receita do AFRMM sem observar a contrapartida da limita&ccedil;&atilde;o da deprecia&ccedil;&atilde;o ao custo do bem, sob pena de dupla recupera&ccedil;&atilde;o do mesmo disp&ecirc;ndio &ndash; uma vez pela receita n&atilde;o tributada e outra pelo encargo de deprecia&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para bancas tribut&aacute;rias, o precedente refor&ccedil;a um ponto de aten&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tico na defesa de autos de infra&ccedil;&atilde;o: sempre que o lan&ccedil;amento de of&iacute;cio converter resultado negativo em base positiva, cabe avaliar e requerer, j&aacute; na impugna&ccedil;&atilde;o, a compensa&ccedil;&atilde;o do estoque de preju&iacute;zo fiscal ou de base negativa dispon&iacute;vel, com lastro na declara&ccedil;&atilde;o de rendimentos correta &ndash; e n&atilde;o em registros meramente cont&aacute;beis de ativo fiscal diferido, que seguem l&oacute;gica pr&oacute;pria e n&atilde;o se confundem com o saldo fiscal dispon&iacute;vel para compensa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">Ac&oacute;rd&atilde;o CARF n&ordm; 1102-002.119 &ndash; 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o, 1&ordf; C&acirc;mara, 2&ordf; Turma Ordin&aacute;ria, Processo Administrativo n&ordm; 10283.721485/2012-45, sess&atilde;o de julgamento de 19 de agosto de 2026, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.</p>
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		<title>TIT-SP Afasta Cobrança de ICMS sobre Exportação em Consignação e Veda Aplicação Retroativa de Norma da Receita Federal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 15:43:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Quinta C&#226;mara Julgadora do Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de S&#227;o Paulo (TIT-SP), em sess&#227;o realizada em 27 de agosto de 2026, decidiu, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Ordin&#225;rio interposto no Auto de Infra&#231;&#227;o e Imposi&#231;&#227;o de Multa (AIIM) n&#186; 5.035.113-8, movido contra a Villares Metals S.A., e julgou totalmente improcedente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">A Quinta C&acirc;mara Julgadora do Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de S&atilde;o Paulo (TIT-SP), em sess&atilde;o realizada em 27 de agosto de 2026, decidiu, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Ordin&aacute;rio interposto no Auto de Infra&ccedil;&atilde;o e Imposi&ccedil;&atilde;o de Multa (AIIM) n&ordm; 5.035.113-8, movido contra a Villares Metals S.A., e julgou totalmente improcedente a exig&ecirc;ncia fiscal. O voto condutor, do juiz relator Adolpho Bergamini, fixou que o fato gerador do ICMS na exporta&ccedil;&atilde;o se consuma com a sa&iacute;da f&iacute;sica da mercadoria do territ&oacute;rio aduaneiro &ndash; e n&atilde;o com a emiss&atilde;o posterior das notas fiscais de venda &ndash; e que a comprova&ccedil;&atilde;o desse fato deve observar a legisla&ccedil;&atilde;o vigente &agrave; &eacute;poca em que ele ocorreu, afastando a exig&ecirc;ncia retroativa da Declara&ccedil;&atilde;o &Uacute;nica de Exporta&ccedil;&atilde;o (DU-E) institu&iacute;da pela Instru&ccedil;&atilde;o Normativa RFB n&ordm; 1.818/2018. A seguir, examinam-se os fundamentos da autua&ccedil;&atilde;o, a defini&ccedil;&atilde;o do momento do fato gerador, a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da irretroatividade normativa &agrave; prova do fato jur&iacute;dico e os desdobramentos pr&aacute;ticos da decis&atilde;o para empresas exportadoras.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Autua&ccedil;&atilde;o: Exporta&ccedil;&atilde;o em Consigna&ccedil;&atilde;o e a Exig&ecirc;ncia de Nova DU-E</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A fiscaliza&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo lavrou o AIIM referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2019, exigindo R$ 364.448,88 de ICMS sob o argumento de que a empresa metal&uacute;rgica n&atilde;o teria comprovado a efetiva exporta&ccedil;&atilde;o de mercadorias documentadas em notas fiscais de venda definitiva. Segundo o Fisco, essas notas correspondiam a mercadorias que haviam sido remetidas ao exterior anteriormente sob o regime de consigna&ccedil;&atilde;o, sem que a venda subsequente tivesse sido acompanhada da respectiva Declara&ccedil;&atilde;o &Uacute;nica de Exporta&ccedil;&atilde;o (DU-E).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para a autoridade autuante, a exporta&ccedil;&atilde;o definitiva de bens antes remetidos em consigna&ccedil;&atilde;o constitui etapa aut&ocirc;noma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; remessa inicial, exigindo, nos termos do artigo 102, inciso V, da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa RFB n&ordm; 1.702/2017, a formaliza&ccedil;&atilde;o de nova DU-E vinculada especificamente &agrave;s notas fiscais de venda. A aus&ecirc;ncia dessa formalidade descaracterizaria a opera&ccedil;&atilde;o como exporta&ccedil;&atilde;o, convertendo-a, para fins de ICMS, em sa&iacute;da interna tribut&aacute;vel, com fundamento nos artigos 7&ordm;, inciso V, e 445, inciso I, do Regulamento do ICMS paulista (Decreto n&ordm; 45.490/2000).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em sua defesa, a Villares Metals sustentou que as mercadorias autuadas haviam deixado fisicamente o territ&oacute;rio nacional ainda em 2018, amparadas por notas fiscais de remessa em consigna&ccedil;&atilde;o com Registros de Exporta&ccedil;&atilde;o regularmente averbados pela Receita Federal no Siscomex. Argumentou que as notas fiscais de venda emitidas em 2019 tinham natureza meramente mercantil, documentando a transfer&ecirc;ncia de propriedade de bens j&aacute; localizados no exterior, sem configurar novo fato gerador do imposto estadual.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Momento do Fato Gerador do ICMS na Exporta&ccedil;&atilde;o</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O colegiado acolheu a tese da recorrente quanto ao momento de ocorr&ecirc;ncia do fato gerador. Com base no artigo 213 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n&ordm; 6.759/2009), o relator fixou que o fato gerador na exporta&ccedil;&atilde;o se consuma com a sa&iacute;da f&iacute;sica da mercadoria do territ&oacute;rio aduaneiro, confirmada pela averba&ccedil;&atilde;o do embarque prevista no artigo 593 do mesmo regulamento &ndash; e n&atilde;o pela formaliza&ccedil;&atilde;o comercial da venda ao adquirente estrangeiro.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No caso concreto, todas as remessas em consigna&ccedil;&atilde;o ocorreram ao longo de 2018, mediante notas fiscais sob CFOP 7.949, regularmente registradas e averbadas pela Receita Federal. As notas fiscais de venda emitidas em janeiro e fevereiro de 2019, sob CFOP 7.101, documentaram apenas a aliena&ccedil;&atilde;o de bens que j&aacute; se encontravam fora do pa&iacute;s, sem que qualquer mercadoria tivesse deixado o territ&oacute;rio nacional naquele exerc&iacute;cio.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A distin&ccedil;&atilde;o foi decisiva para o resultado do julgamento: como a exig&ecirc;ncia fiscal vinculou a cobran&ccedil;a do ICMS a documentos que n&atilde;o retratam o fato gerador do imposto &ndash; as notas de venda &ndash;, e n&atilde;o &agrave;s notas de remessa que efetivamente comprovam a exporta&ccedil;&atilde;o, o Tribunal concluiu que o lan&ccedil;amento partiu de premissa equivocada quanto ao pr&oacute;prio fato tribut&aacute;vel.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Irretroatividade da Exig&ecirc;ncia de DU-E e a Diverg&ecirc;ncia da Representa&ccedil;&atilde;o Fiscal</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">Definido que o fato gerador ocorreu em 2018, o colegiado aplicou o princ&iacute;pio de que a prova do fato jur&iacute;dico se rege pela legisla&ccedil;&atilde;o vigente &agrave; &eacute;poca de sua ocorr&ecirc;ncia. Na reda&ccedil;&atilde;o original do artigo 94 da Instru&ccedil;&atilde;o Normativa RFB n&ordm; 1.702/2017, vigente quando as remessas em consigna&ccedil;&atilde;o foram feitas, a comprova&ccedil;&atilde;o da exporta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o dependia do n&uacute;mero da DU-E &ndash; exig&ecirc;ncia introduzida somente pela Instru&ccedil;&atilde;o Normativa RFB n&ordm; 1.818/2018, publicada em 26 de julho de 2018.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O exame dos Registros de Exporta&ccedil;&atilde;o juntados aos autos confirmou que todos foram registrados e averbados antes dessa data, o mais recente em 24 de julho de 2018. Para o relator, exigir da empresa, retroativamente, a comprova&ccedil;&atilde;o por meio de DU-E relativa a fatos consumados em 2018 equivaleria a aplicar para tr&aacute;s uma norma editada depois da ocorr&ecirc;ncia do fato gerador, imputando &agrave; contribuinte o descumprimento de um dever que, &agrave; &eacute;poca, ela n&atilde;o tinha.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Representa&ccedil;&atilde;o Fiscal divergiu do relator, sustentando que a autua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o envolvia aplica&ccedil;&atilde;o retroativa: como as notas de venda foram emitidas em 2019, j&aacute; sob a vig&ecirc;ncia da IN RFB n&ordm; 1.818/2018, a exig&ecirc;ncia de DU-E vinculada a essas notas seria v&aacute;lida e atual, e a distin&ccedil;&atilde;o normativa entre remessa em consigna&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o definitiva justificaria a exig&ecirc;ncia de comprova&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria para cada etapa. O colegiado, no entanto, rejeitou o argumento, por entender que a formalidade da fase de venda n&atilde;o pode converter em opera&ccedil;&atilde;o interna tribut&aacute;vel uma sa&iacute;da que, f&iacute;sica e juridicamente, j&aacute; se destinara ao exterior e cuja efetiva&ccedil;&atilde;o a pr&oacute;pria Receita Federal j&aacute; havia confirmado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A decis&atilde;o tem alcance pr&aacute;tico para empresas que operam por meio de exporta&ccedil;&atilde;o em consigna&ccedil;&atilde;o, modalidade comum nos setores metal&uacute;rgico, sider&uacute;rgico e de bens de capital, nos quais mercadorias s&atilde;o remetidas ao exterior antes da concretiza&ccedil;&atilde;o da venda a compradores estrangeiros. O precedente refor&ccedil;a que a comprova&ccedil;&atilde;o fiscal da exporta&ccedil;&atilde;o deve ser aferida pela norma vigente no momento da sa&iacute;da f&iacute;sica da mercadoria, e n&atilde;o por exig&ecirc;ncias documentais supervenientes vinculadas a etapas comerciais posteriores da opera&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de S&atilde;o Paulo. Quinta C&acirc;mara Julgadora. Auto de Infra&ccedil;&atilde;o e Imposi&ccedil;&atilde;o de Multa (AIIM) n&ordm; 5.035.113-8. Recorrente: Villares Metals S.A. Relator: Juiz Adolpho Bergamini. Julgamento em 27 de agosto de 2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Receita Federal do Brasil. Instru&ccedil;&atilde;o Normativa RFB n&ordm; 1.702, de 21 de mar&ccedil;o de 2017, com reda&ccedil;&atilde;o alterada pela Instru&ccedil;&atilde;o Normativa RFB n&ordm; 1.818, de 24 de julho de 2018 (DOU de 26/07/2018).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Decreto n&ordm; 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro), artigos 213 e 593.</p>
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		<title>Tema 1372 – STJ Fixa Tese Vinculante e Afasta o ICMS-Difal da Base de Cálculo do PIS e da COFINS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 20:58:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em julgamento conclu&#237;do em 20 de agosto de 2026, a 1&#170; Se&#231;&#227;o do Superior Tribunal de Justi&#231;a fixou tese vinculante no Tema 1.372 dos recursos repetitivos (REsps 2.174.178/SC, 2.181.166/SP e 2.191.532/ES, Rel. Min. Gurgel de Faria) para definir que o ICMS-Difal &#8211; diferencial de al&#237;quotas cobrado em opera&#231;&#245;es interestaduais destinadas a consumidor final n&#227;o contribuinte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">Em julgamento conclu&iacute;do em 20 de agosto de 2026, a 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a fixou tese vinculante no Tema 1.372 dos recursos repetitivos (REsps 2.174.178/SC, 2.181.166/SP e 2.191.532/ES, Rel. Min. Gurgel de Faria) para definir que o ICMS-Difal &ndash; diferencial de al&iacute;quotas cobrado em opera&ccedil;&otilde;es interestaduais destinadas a consumidor final n&atilde;o contribuinte &ndash; n&atilde;o comp&otilde;e a base de c&aacute;lculo do PIS e da COFINS. A decis&atilde;o foi un&acirc;nime e modulou seus efeitos a partir de 15 de mar&ccedil;o de 2017, ressalvadas as a&ccedil;&otilde;es judiciais e os procedimentos administrativos j&aacute; em curso naquela data. Os t&oacute;picos seguintes tratam dos fundamentos da tese, do alcance da modula&ccedil;&atilde;o e do impacto pr&aacute;tico para empresas com opera&ccedil;&otilde;es interestaduais.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Tese Fixada e seus Fundamentos</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A controv&eacute;rsia submetida &agrave; Primeira Se&ccedil;&atilde;o consistia em definir se o ICMS-Difal, parcela adicional recolhida pelo remetente em opera&ccedil;&otilde;es interestaduais destinadas a consumidor final n&atilde;o contribuinte do imposto, deveria integrar a base de c&aacute;lculo das contribui&ccedil;&otilde;es ao PIS e &agrave; COFINS. O relator, ministro Gurgel de Faria, concluiu que n&atilde;o, por entender que o Difal n&atilde;o constitui tributo aut&ocirc;nomo, mas apenas uma sistem&aacute;tica de reparti&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio ICMS entre os Estados de origem e de destino.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo o voto condutor, a ado&ccedil;&atilde;o do Difal n&atilde;o modifica a natureza do ICMS incidente sobre a circula&ccedil;&atilde;o interestadual de mercadorias: trata-se do mesmo imposto, calculado e partilhado de forma espec&iacute;fica, e n&atilde;o de nova esp&eacute;cie tribut&aacute;ria. Por essa raz&atilde;o, os valores correspondentes ao Difal, tal como o ICMS pr&oacute;prio, n&atilde;o ingressam no patrim&ocirc;nio do contribuinte e n&atilde;o configuram receita ou faturamento para fins de incid&ecirc;ncia das contribui&ccedil;&otilde;es sociais.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A tese aplica ao Difal a mesma l&oacute;gica firmada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 69 da repercuss&atilde;o geral &ndash; a chamada &ldquo;tese do s&eacute;culo&rdquo; &ndash;, segundo a qual o ICMS n&atilde;o comp&otilde;e a base de c&aacute;lculo do PIS e da COFINS por n&atilde;o representar receita pr&oacute;pria do contribuinte. O STJ j&aacute; havia estendido esse entendimento ao ICMS-ST no Tema 1.125 dos recursos repetitivos, e o Tema 1.372 completa esse conjunto de precedentes, tratado pela comunidade jur&iacute;dica como mais uma das &ldquo;teses-filhotes&rdquo; da tese do s&eacute;culo.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Modula&ccedil;&atilde;o de Efeitos</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A Primeira Se&ccedil;&atilde;o decidiu modular os efeitos da tese, fazendo-a incidir a partir de 15 de mar&ccedil;o de 2017 &ndash; data em que o STF concluiu o julgamento do Tema 69. A modula&ccedil;&atilde;o ressalva, contudo, as a&ccedil;&otilde;es judiciais e os procedimentos administrativos que j&aacute; estavam em curso naquela data, os quais permanecem regidos pelas regras ent&atilde;o aplic&aacute;veis, sem o marco temporal geral.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A escolha dessa data busca coer&ecirc;ncia com a modula&ccedil;&atilde;o j&aacute; aplicada pelo pr&oacute;prio STJ ao ICMS-ST, no Tema 1.125, e com o marco fixado pelo STF na tese do s&eacute;culo, evitando tratamento diferenciado entre hip&oacute;teses de exclus&atilde;o do ICMS da base de PIS e COFINS que decorrem do mesmo fundamento jur&iacute;dico. Refor&ccedil;a, ainda, a diretriz do CNJ no sentido de priorizar a modula&ccedil;&atilde;o e reduzir a prolifera&ccedil;&atilde;o de teses filhotes com marcos temporais distintos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na pr&aacute;tica, contribuintes que n&atilde;o haviam judicializado ou pleiteado administrativamente a exclus&atilde;o do Difal antes de 15 de mar&ccedil;o de 2017 s&oacute; podem se valer da tese a partir dessa data; j&aacute; os que possu&iacute;am a&ccedil;&atilde;o ou procedimento em curso naquele momento preservam eventual direito a per&iacute;odo anterior, conforme as regras que j&aacute; regiam seus casos espec&iacute;ficos.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Impacto Pr&aacute;tico para Empresas</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A decis&atilde;o beneficia diretamente empresas que realizam vendas interestaduais a consumidor final n&atilde;o contribuinte do ICMS &ndash; t&iacute;picas do com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico e de opera&ccedil;&otilde;es B2C &ndash;, que recolhem o Difal e, a partir de agora, podem exclu&iacute;-lo da base de c&aacute;lculo do PIS e da COFINS em suas apura&ccedil;&otilde;es correntes, com respaldo em tese vinculante para todas as inst&acirc;ncias do Judici&aacute;rio, nos termos do artigo 927, inciso I, do C&oacute;digo de Processo Civil.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para o passado, a modula&ccedil;&atilde;o abre espa&ccedil;o para revis&atilde;o de recolhimentos e pedidos de restitui&ccedil;&atilde;o ou compensa&ccedil;&atilde;o relativos ao per&iacute;odo posterior a 15 de mar&ccedil;o de 2017, observado o prazo prescricional de cinco anos para repeti&ccedil;&atilde;o de ind&eacute;bito tribut&aacute;rio. Empresas com a&ccedil;&otilde;es ou procedimentos administrativos j&aacute; em curso antes daquele marco devem verificar se seu caso concreto permite postular a exclus&atilde;o tamb&eacute;m para per&iacute;odo anterior.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de tema repetitivo, a tese vincula automaticamente processos sobrestados em todo o pa&iacute;s e deve ser observada por Receita Federal, Fazendas Estaduais e tribunais locais nas discuss&otilde;es pendentes sobre a mat&eacute;ria. Recomenda-se que empresas com opera&ccedil;&otilde;es interestaduais relevantes revisem suas apura&ccedil;&otilde;es de PIS e COFINS desde 2017 e avaliem, com assessoria especializada, a viabilidade de a&ccedil;&otilde;es de repeti&ccedil;&atilde;o de ind&eacute;bito ou de habilita&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos administrativos, dado o potencial impacto financeiro da exclus&atilde;o em opera&ccedil;&otilde;es de m&eacute;dio e grande volume.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. Tema 1.372 dos recursos repetitivos. Recursos Especiais 2.174.178/SC, 2.181.166/SP e 2.191.532/ES. Relator: Ministro Gurgel de Faria. Primeira Se&ccedil;&atilde;o, julgamento em 20 de agosto de 2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Supremo Tribunal Federal. Tema 69 da repercuss&atilde;o geral (RE 574.706/PR). Julgamento em 15 de mar&ccedil;o de 2017.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. Tema 1.125 dos recursos repetitivos (ICMS-ST na base de c&aacute;lculo do PIS e da COFINS).</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>CARF Reconhece Crédito de Saldo Negativo de IRPJ Composto por Estimativas Homologadas Tacitamente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 00:58:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em sess&#227;o de julgamento realizada em 29 de maio de 2026, a 2&#170; Turma Ordin&#225;ria da 2&#170; C&#226;mara da 1&#170; Se&#231;&#227;o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deu provimento, por unanimidade, ao recurso volunt&#225;rio interposto pela Coamo Agroindustrial Cooperativa no Processo Administrativo n&#186; 10950.903081/2010-04 (Ac&#243;rd&#227;o n&#186; 1202-002.453), publicado em 6 de agosto de 2026. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">Em sess&atilde;o de julgamento realizada em 29 de maio de 2026, a 2&ordf; Turma Ordin&aacute;ria da 2&ordf; C&acirc;mara da 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deu provimento, por unanimidade, ao recurso volunt&aacute;rio interposto pela Coamo Agroindustrial Cooperativa no Processo Administrativo n&ordm; 10950.903081/2010-04 (Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1202-002.453), publicado em 6 de agosto de 2026. O colegiado reconheceu que parcelas de estimativas mensais de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jur&iacute;dica (IRPJ), compensadas mediante DCOMP e homologadas tacitamente pelo decurso do prazo legal de cinco anos, devem compor o cr&eacute;dito de saldo negativo do tributo. A decis&atilde;o reformou entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) que havia negado essa composi&ccedil;&atilde;o, e assegurou &agrave; cooperativa o cr&eacute;dito remanescente de R$ 1.210.869,59, referente ao ano-calend&aacute;rio de 2005. A seguir, examinam-se a origem da controv&eacute;rsia, o fundamento jur&iacute;dico adotado pelo CARF e o impacto pr&aacute;tico da tese para empresas com cr&eacute;ditos tribut&aacute;rios pendentes de homologa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Origem da Controv&eacute;rsia</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A Coamo apurou, na Declara&ccedil;&atilde;o de Imposto de Renda Pessoa Jur&iacute;dica (DIPJ) referente ao ano-calend&aacute;rio de 2005, saldo negativo de IRPJ resultante da diferen&ccedil;a entre o imposto devido e as antecipa&ccedil;&otilde;es realizadas no per&iacute;odo, entre elas o recolhimento de estimativas mensais. Parte dessas estimativas foi quitada mediante declara&ccedil;&otilde;es de compensa&ccedil;&atilde;o (DCOMP) que utilizaram cr&eacute;ditos de PIS e Cofins vinculados a opera&ccedil;&otilde;es de exporta&ccedil;&atilde;o, ainda pendentes de confirma&ccedil;&atilde;o em processos distintos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O despacho decis&oacute;rio da Delegacia da Receita Federal em Maring&aacute;/PR n&atilde;o homologou integralmente as compensa&ccedil;&otilde;es, sob o argumento de que o saldo negativo dispon&iacute;vel seria zero. Em manifesta&ccedil;&atilde;o de inconformidade, a cooperativa comprovou, mediante dilig&ecirc;ncia determinada pela pr&oacute;pria DRJ, que duas dessas compensa&ccedil;&otilde;es &ndash; relativas &agrave;s estimativas de fevereiro e mar&ccedil;o de 2005, no valor total de R$ 1.210.869,59 &ndash; j&aacute; haviam sido homologadas pela Receita Federal, ainda que por decurso do prazo legal.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mesmo diante dessa constata&ccedil;&atilde;o, a DRJ manteve a glosa do cr&eacute;dito, sob o fundamento de que a Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Interna Cosit n&ordm; 16/2012 n&atilde;o reconheceria efeitos credit&oacute;rios &agrave; homologa&ccedil;&atilde;o t&aacute;cita, por aus&ecirc;ncia de previs&atilde;o legal que assegurasse ao contribuinte o direito ao cr&eacute;dito nessa hip&oacute;tese. O recurso volunt&aacute;rio sustentou que tal leitura ignorava os efeitos jur&iacute;dicos da extin&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito tribut&aacute;rio decorrente da compensa&ccedil;&atilde;o, fossem eles obtidos por homologa&ccedil;&atilde;o expressa ou t&aacute;cita.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Fundamento Adotado pelo CARF</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A relatora fundamentou o provimento do recurso no artigo 156, inciso II, do C&oacute;digo Tribut&aacute;rio Nacional, que estabelece a compensa&ccedil;&atilde;o como modalidade de extin&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito tribut&aacute;rio, e no artigo 74, par&aacute;grafos 2&ordm; e 5&ordm;, da Lei n&ordm; 9.430/1996, segundo os quais a compensa&ccedil;&atilde;o declarada extingue o d&eacute;bito sob condi&ccedil;&atilde;o resolut&oacute;ria de homologa&ccedil;&atilde;o, a ser manifestada pela Receita Federal em at&eacute; cinco anos contados da entrega da declara&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Decorrido esse prazo sem qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o da autoridade fiscal, ocorre a homologa&ccedil;&atilde;o t&aacute;cita, que produz os mesmos efeitos jur&iacute;dicos de uma homologa&ccedil;&atilde;o expressa. Para o colegiado, negar o aproveitamento das estimativas homologadas tacitamente na composi&ccedil;&atilde;o do saldo negativo equivaleria a esvaziar a efic&aacute;cia da pr&oacute;pria extin&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito tribut&aacute;rio reconhecida pela lei.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O ac&oacute;rd&atilde;o tamb&eacute;m invocou, por analogia, a l&oacute;gica da S&uacute;mula CARF n&ordm; 177, segundo a qual estimativas compensadas e confessadas em DCOMP integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que sequer tenham sido homologadas ou estejam pendentes de homologa&ccedil;&atilde;o. Na vis&atilde;o da relatora, se a norma sumulada garante esse direito mesmo &agrave; compensa&ccedil;&atilde;o pendente, com maior raz&atilde;o deve prevalecer quando a homologa&ccedil;&atilde;o j&aacute; se consolidou, ainda que tacitamente.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O colegiado ainda afastou a aplica&ccedil;&atilde;o do Parecer Normativo Cosit n&ordm; 2/2018, invocado pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o, por entender que sua aplica&ccedil;&atilde;o retroativa a fatos anteriores &agrave; sua edi&ccedil;&atilde;o feriria a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e desconsideraria a extin&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito tribut&aacute;rio j&aacute; consolidada. A decis&atilde;o citou precedentes recentes do pr&oacute;prio CARF em casos an&aacute;logos, envolvendo IRPJ e CSLL, que adotaram o mesmo entendimento favor&aacute;vel ao contribuinte.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A decis&atilde;o consolida entendimento favor&aacute;vel ao contribuinte em casos nos quais a in&eacute;rcia da pr&oacute;pria Receita Federal em homologar expressamente compensa&ccedil;&otilde;es de estimativas, dentro do prazo legal de cinco anos, n&atilde;o pode ser oposta contra o sujeito passivo para negar-lhe o cr&eacute;dito de saldo negativo a que tem direito. O precedente &eacute; especialmente relevante para processos administrativos antigos, anteriores &agrave; edi&ccedil;&atilde;o do Parecer Normativo Cosit n&ordm; 2/2018, per&iacute;odo em que a aplica&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios interpretativos supervenientes tem sido afastada pelo CARF por viola&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Processo Administrativo n&ordm; 10950.903081/2010-04. Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1202-002.453 &ndash; 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o/2&ordf; C&acirc;mara/2&ordf; Turma Ordin&aacute;ria. Relatora: Conselheira Liana Carine Fernandes de Queiroz. Sess&atilde;o de julgamento de 29 de maio de 2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. S&uacute;mula CARF n&ordm; 177.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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			</item>
		<item>
		<title>CARF Afasta Exigência de Reserva de Incentivos Fiscais quando Lucro é Absorvido por Prejuízos Acumulados</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 23:43:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A 1&#170; Turma Ordin&#225;ria da 3&#170; C&#226;mara da 1&#170; Se&#231;&#227;o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Ac&#243;rd&#227;o n&#186; 1301-008.270 (Processo 15746.722441/2024-03), em sess&#227;o de julgamento realizada em 22 de junho de 2026 e publicado em 3 de agosto de 2026, deu parcial provimento, por unanimidade, ao recurso volunt&#225;rio de Cervejaria Petr&#243;polis S/A &#8211; Em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">A 1&ordf; Turma Ordin&aacute;ria da 3&ordf; C&acirc;mara da 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1301-008.270 (Processo 15746.722441/2024-03), em sess&atilde;o de julgamento realizada em 22 de junho de 2026 e publicado em 3 de agosto de 2026, deu parcial provimento, por unanimidade, ao recurso volunt&aacute;rio de Cervejaria Petr&oacute;polis S/A &ndash; Em Recupera&ccedil;&atilde;o Judicial, para cancelar a infra&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; exclus&atilde;o de benef&iacute;cios fiscais estaduais de ICMS das bases de c&aacute;lculo do IRPJ e da CSLL relativas ao ano-calend&aacute;rio de 2021. O colegiado afastou a exig&ecirc;ncia de constitui&ccedil;&atilde;o da reserva de incentivos fiscais prevista no artigo 30 da Lei n&ordm; 12.973/2014 ao reconhecer que o lucro l&iacute;quido cont&aacute;bil do per&iacute;odo foi integralmente absorvido por preju&iacute;zos acumulados, tornando a destina&ccedil;&atilde;o &agrave; reserva juridicamente imposs&iacute;vel naquele exerc&iacute;cio. A seguir, examina-se a origem da autua&ccedil;&atilde;o, o fundamento adotado pela turma para dispensar a reserva e os desdobramentos da decis&atilde;o sobre a tributa&ccedil;&atilde;o da taxa Selic incidente sobre ind&eacute;bitos tribut&aacute;rios.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Autua&ccedil;&atilde;o Fiscal e a Decis&atilde;o de Primeira Inst&acirc;ncia</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A fiscaliza&ccedil;&atilde;o lavrou autos de infra&ccedil;&atilde;o de IRPJ e de CSLL referentes ao ano-calend&aacute;rio de 2021, sob o fundamento de que a empresa excluiu do lucro real e da base de c&aacute;lculo da CSLL, sem a devida comprova&ccedil;&atilde;o, valores de benef&iacute;cios fiscais estaduais de ICMS tratados como subven&ccedil;&atilde;o para investimento. Segundo o relat&oacute;rio fiscal, faltou a demonstra&ccedil;&atilde;o da natureza de subven&ccedil;&atilde;o e a constitui&ccedil;&atilde;o da respectiva reserva de incentivos fiscais, exigida pelo artigo 30 da Lei n&ordm; 12.973/2014 e pelo artigo 195-A da Lei n&ordm; 6.404/1976.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em impugna&ccedil;&atilde;o, a contribuinte sustentou que os valores foram corretamente contabilizados como receita e exclu&iacute;dos com amparo na Lei Complementar n&ordm; 160/2017 e no Conv&ecirc;nio ICMS n&ordm; 190/2017, argumentando que a exig&ecirc;ncia de reserva seria mera formalidade cont&aacute;bil incapaz de descaracterizar a natureza da subven&ccedil;&atilde;o. Alegou ainda que, por se encontrar em recupera&ccedil;&atilde;o judicial, a constitui&ccedil;&atilde;o da reserva seria impratic&aacute;vel diante das restri&ccedil;&otilde;es do plano de recupera&ccedil;&atilde;o aprovado judicialmente.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A DRJ manteve integralmente a autua&ccedil;&atilde;o por meio do Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 107-028.126, sob o entendimento de que n&atilde;o havia nos autos qualquer demonstra&ccedil;&atilde;o de constitui&ccedil;&atilde;o da reserva de incentivos fiscais e de que a condi&ccedil;&atilde;o de recupera&ccedil;&atilde;o judicial n&atilde;o dispensa o cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria. A decis&atilde;o de primeira inst&acirc;ncia, contudo, n&atilde;o enfrentou o argumento central da defesa: o de que a empresa n&atilde;o dispunha de lucro cont&aacute;bil para destinar &agrave; reserva, pois este havia sido absorvido por preju&iacute;zos acumulados.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Fundamento do CARF: Preju&iacute;zos Acumulados Impedem a Constitui&ccedil;&atilde;o da Reserva</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O relator, conselheiro Rafael Taranto Malheiros, acolheu exatamente o argumento n&atilde;o analisado pela DRJ. A demonstra&ccedil;&atilde;o de muta&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio l&iacute;quido trazida pela recorrente comprovou que o preju&iacute;zo acumulado da empresa superava o lucro apurado no ano-calend&aacute;rio de 2021, absorvendo integralmente o resultado positivo do per&iacute;odo, e que os exerc&iacute;cios seguintes, de 2022 e 2023, tamb&eacute;m foram de preju&iacute;zo, o que inviabilizava qualquer recomposi&ccedil;&atilde;o posterior da reserva.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A turma fundamentou a decis&atilde;o no artigo 30, par&aacute;grafo 3&ordm;, da Lei n&ordm; 12.973/2014, segundo o qual, n&atilde;o havendo lucro suficiente para destina&ccedil;&atilde;o &agrave; reserva de incentivos fiscais, a empresa fica impedida, na pr&aacute;tica, de constitu&iacute;-la, devendo faz&ecirc;-lo somente quando apurar resultados positivos em exerc&iacute;cios posteriores, caso e quando isso ocorra.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O ac&oacute;rd&atilde;o tamb&eacute;m se apoiou no artigo 189, par&aacute;grafo &uacute;nico, da Lei n&ordm; 6.404/1976, segundo o qual o preju&iacute;zo do exerc&iacute;cio deve ser obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. N&atilde;o havendo lucro remanescente ap&oacute;s essa absor&ccedil;&atilde;o sequencial, n&atilde;o subsiste base cont&aacute;bil dispon&iacute;vel para destina&ccedil;&atilde;o &agrave; reserva de incentivos fiscais, de modo que a exig&ecirc;ncia da fiscaliza&ccedil;&atilde;o, nesse contexto, careceria de correspond&ecirc;ncia com a realidade patrimonial da empresa.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para refor&ccedil;ar a tese, a turma invocou precedente da pr&oacute;pria Primeira Se&ccedil;&atilde;o, o Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1401-007.324, no qual o colegiado j&aacute; havia dispensado a constitui&ccedil;&atilde;o de reserva em caso envolvendo incentivo fiscal concedido pelo Estado do Amazonas, por fundamento id&ecirc;ntico: a impossibilidade f&aacute;tica de reservar lucro que j&aacute; havia sido absorvido por preju&iacute;zo acumulado no mesmo exerc&iacute;cio.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Ponto Desfavor&aacute;vel: Selic sobre Ind&eacute;bito Tribut&aacute;rio e a Modula&ccedil;&atilde;o do Tema 962</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A mesma autua&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m glosou parcialmente a exclus&atilde;o de valores de atualiza&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria pela taxa Selic sobre cr&eacute;ditos tribut&aacute;rios restitu&iacute;dos por meio de PER/DCOMP, decorrentes de a&ccedil;&otilde;es judiciais transitadas em julgado que reconheceram a exclus&atilde;o do ICMS da base de c&aacute;lculo do PIS e da COFINS, com fundamento no Tema 69 de repercuss&atilde;o geral do STF.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A recorrente invocou o Tema 962 do STF, que declarou inconstitucional a incid&ecirc;ncia de IRPJ e de CSLL sobre a taxa Selic recebida em repeti&ccedil;&atilde;o de ind&eacute;bito tribut&aacute;rio. O CARF, contudo, aplicou a modula&ccedil;&atilde;o de efeitos fixada pela Corte, com marco temporal em 30 de setembro de 2021, e manteve a tributa&ccedil;&atilde;o sobre a parcela cujos PER/DCOMP foram protocolados em 29 de mar&ccedil;o e em 22 de outubro de 2021, por entender que ao menos parte dos pedidos antecedeu o marco de modula&ccedil;&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A turma acompanhou o entendimento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, consolidado no Parecer SEI n&ordm; 11.469/2022/ME, e da Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Cosit n&ordm; 183/2021, segundo os quais o fato gerador do IRPJ e da CSLL sobre a Selic ocorre na entrega da primeira declara&ccedil;&atilde;o de compensa&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o na data do tr&acirc;nsito em julgado da a&ccedil;&atilde;o subjacente. Em consequ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m foi mantida a multa de of&iacute;cio de 75% sobre a parcela da autua&ccedil;&atilde;o que permaneceu v&aacute;lida, e o colegiado indeferiu o pedido de per&iacute;cia t&eacute;cnica por considerar suficiente a prova documental j&aacute; constante dos autos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A decis&atilde;o consolida entendimento de particular relev&acirc;ncia para empresas que atravessam ciclos de resultados negativos ou processos de recupera&ccedil;&atilde;o judicial: a exig&ecirc;ncia de reserva de incentivos fiscais prevista no artigo 30 da Lei n&ordm; 12.973/2014 n&atilde;o pode ser interpretada de modo a exigir o imposs&iacute;vel, bastando a comprova&ccedil;&atilde;o de que o lucro cont&aacute;bil foi absorvido por preju&iacute;zos acumulados, com a reserva a ser recomposta apenas quando a empresa voltar a apurar resultados positivos. Ainda que o mesmo julgado tenha mantido a tributa&ccedil;&atilde;o da Selic sobre parte dos ind&eacute;bitos por for&ccedil;a da modula&ccedil;&atilde;o do Tema 962 do STF, o precedente fortalece, no que toca &agrave;s subven&ccedil;&otilde;es de ICMS, a defesa de contribuintes que n&atilde;o conseguem cumprir formalidades cont&aacute;beis invi&aacute;veis diante de sua realidade patrimonial.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">CARF, Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1301-008.270 (Processo Administrativo n&ordm; 15746.722441/2024-03), 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o, 3&ordf; C&acirc;mara, 1&ordf; Turma Ordin&aacute;ria, Relator Conselheiro Rafael Taranto Malheiros, sess&atilde;o de julgamento em 22 de junho de 2026, publicado em 3 de agosto de 2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">CARF, Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 1401-007.324, 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o, 4&ordf; C&acirc;mara, 1&ordf; Turma Ordin&aacute;ria, sess&atilde;o de julgamento em 19 de novembro de 2024 (precedente citado quanto &agrave; dispensa de reserva quando o lucro &eacute; absorvido por preju&iacute;zos acumulados).</p>
<p class="wp-block-paragraph">STF, Tema 962 de Repercuss&atilde;o Geral (Recurso Extraordin&aacute;rio n&ordm; 1.063.187/SC), sobre a inconstitucionalidade da incid&ecirc;ncia de IRPJ e CSLL sobre a taxa Selic recebida em repeti&ccedil;&atilde;o de ind&eacute;bito tribut&aacute;rio.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>TRF-3 Reafirma Direito à Exclusão de Crédito Presumido de ICMS da Base do IRPJ e da CSLL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 19:27:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 4&#170; Turma do Tribunal Regional Federal da 3&#170; Regi&#227;o, por unanimidade, reformou parcialmente senten&#231;a de primeiro grau para reconhecer o direito de uma ind&#250;stria de embalagens de excluir cr&#233;ditos presumidos de ICMS da base de c&#225;lculo do IRPJ e da CSLL, conforme a Apela&#231;&#227;o C&#237;vel n&#186;, com decis&#227;o publicada em 28/07/2026. O fundamento central [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">A 4&ordf; Turma do Tribunal Regional Federal da 3&ordf; Regi&atilde;o, por unanimidade, reformou parcialmente senten&ccedil;a de primeiro grau para reconhecer o direito de uma ind&uacute;stria de embalagens de excluir cr&eacute;ditos presumidos de ICMS da base de c&aacute;lculo do IRPJ e da CSLL, conforme a Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n&ordm;, com decis&atilde;o publicada em 28/07/2026. O fundamento central foi o entendimento consolidado pelo STJ no EREsp 1.517.492/PR, segundo o qual a Uni&atilde;o n&atilde;o pode tributar incentivos fiscais concedidos pelos Estados sob pena de violar o pacto federativo; a seguir, examinam-se o caso, a raz&atilde;o pela qual a Lei n&ordm; 14.789/2023 n&atilde;o altera esse entendimento e as regras de compensa&ccedil;&atilde;o do indevido reconhecidas pelo tribunal.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Caso e a Decis&atilde;o do TRF-3</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A empresa impetrou mandado de seguran&ccedil;a buscando a exclus&atilde;o de cr&eacute;ditos presumidos de ICMS &ndash; incentivo fiscal concedido pelo Estado-membro &ndash; da base de c&aacute;lculo do IRPJ e da CSLL. A senten&ccedil;a de primeiro grau denegou a seguran&ccedil;a, mas a Quarta Turma do TRF-3 reformou parcialmente a decis&atilde;o, por unanimidade, para assegurar o direito &agrave; exclus&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O fundamento central do ac&oacute;rd&atilde;o &eacute; o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a no EREsp 1.517.492/PR: a inclus&atilde;o de cr&eacute;ditos presumidos de ICMS nas bases do IRPJ e da CSLL configuraria interfer&ecirc;ncia indevida da Uni&atilde;o na pol&iacute;tica fiscal dos Estados, esvaziando o est&iacute;mulo econ&ocirc;mico concedido pelo ente federado e violando sua autonomia.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo a funda&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica do ac&oacute;rd&atilde;o, cr&eacute;ditos presumidos de ICMS n&atilde;o se caracterizam como receita, renda ou lucro, mas como ren&uacute;ncia de receita do Estado destinada a fomentar atividades econ&ocirc;micas regionais ou reduzir desigualdades sociais. O TRF-3 condicionou o aproveitamento dos valores &agrave; comprova&ccedil;&atilde;o, perante a fiscaliza&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria, da condi&ccedil;&atilde;o de benefici&aacute;ria do incentivo.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Que a Lei n&ordm; 14.789/2023 N&atilde;o Muda Esse Entendimento</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O colegiado enfrentou diretamente a quest&atilde;o da efic&aacute;cia temporal diante das inova&ccedil;&otilde;es legislativas: a Lei n&ordm; 14.789/2023, que instituiu novas regras para o aproveitamento de subven&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o tem o cond&atilde;o de afastar ou modificar o entendimento jurisprudencial j&aacute; fixado especificamente quanto ao cr&eacute;dito presumido de ICMS.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O tribunal ressaltou que a exclus&atilde;o desse benef&iacute;cio espec&iacute;fico das bases federais &eacute; incondicionada, n&atilde;o se sujeitando aos requisitos do art. 30 da Lei n&ordm; 12.973/2014 nem &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es trazidas pela Lei Complementar n&ordm; 160/2017, que se aplicam a outras hip&oacute;teses de benef&iacute;cio fiscal.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A decis&atilde;o diferencia expressamente a natureza jur&iacute;dica do cr&eacute;dito presumido das demais modalidades de subven&ccedil;&atilde;o para custeio ou investimento, que possuem regramento distinto conforme o Tema Repetitivo 1.182 do STJ &ndash; reafirmando que o cr&eacute;dito presumido de ICMS segue regime pr&oacute;prio e mais favor&aacute;vel ao contribuinte.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>As Regras de Compensa&ccedil;&atilde;o Reconhecidas pelo Tribunal</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O TRF-3 declarou o direito &agrave; compensa&ccedil;&atilde;o dos valores recolhidos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da a&ccedil;&atilde;o, observado o prazo prescricional quinquenal do art. 168 do C&oacute;digo Tribut&aacute;rio Nacional, com atualiza&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria exclusivamente pela taxa Selic, que j&aacute; compreende corre&ccedil;&atilde;o e juros de mora.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A compensa&ccedil;&atilde;o deve aguardar o tr&acirc;nsito em julgado, conforme o art. 170-A do C&oacute;digo Tribut&aacute;rio Nacional. O tribunal esclareceu ainda que a compensa&ccedil;&atilde;o cruzada com d&eacute;bitos previdenci&aacute;rios, prevista no art. 26-A da Lei n&ordm; 11.457/2007, &eacute; restrita aos contribuintes que utilizam o eSocial, convivendo o regime anterior, mais restritivo, com essa nova possibilidade.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O ac&oacute;rd&atilde;o ainda invocou a ratio decidendi do RE 574.706 do STF &ndash; a chamada &ldquo;tese do s&eacute;culo&rdquo; sobre a exclus&atilde;o do ICMS da base do PIS e da COFINS &ndash; para refor&ccedil;ar que valores que n&atilde;o se incorporam ao patrim&ocirc;nio da empresa n&atilde;o podem sofrer incid&ecirc;ncia tribut&aacute;ria federal, tratando o incentivo estadual como instrumento leg&iacute;timo de descentraliza&ccedil;&atilde;o protegido pela estrutura federativa.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">TRF-3, Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n&ordm; 5002688-31.2024.4.03.6128, 4&ordf; Turma, decis&atilde;o publicada em 28/07/2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">STJ, EREsp 1.517.492/PR.</p>
<p class="wp-block-paragraph">STJ, Tema Repetitivo 1.182 (REsp 1.945.110/RS e REsp 1.987.158/SC).</p>
<p class="wp-block-paragraph">STF, RE 574.706 (Tema 69 de Repercuss&atilde;o Geral).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Lei n&ordm; 14.789/2023; Lei n&ordm; 12.973/2014, art. 30; Lei Complementar n&ordm; 160/2017.</p>
<p class="wp-block-paragraph">C&oacute;digo Tribut&aacute;rio Nacional, arts. 168 e 170-A; Lei n&ordm; 11.457/2007, art. 26-A; Lei n&ordm; 13.670/2018.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>Receita Amplia direito ao Crédito para Transportadoras.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sete]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 20:04:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Transportadoras costumam revisar cr&#233;dito de PIS/COFINS apenas sobre os insumos cl&#225;ssicos da opera&#231;&#227;o &#8211; combust&#237;vel, pneus, pe&#231;as, manuten&#231;&#227;o &#8211;, mas deixam de lado uma s&#233;rie de taxas e custos obrigat&#243;rios impostos por lei para viabilizar o transporte, que tamb&#233;m geram direito a cr&#233;dito pelo mesmo crit&#233;rio de essencialidade ou relev&#226;ncia fixado pelo STJ. O exemplo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p class="wp-block-paragraph">Transportadoras costumam revisar cr&eacute;dito de PIS/COFINS apenas sobre os insumos cl&aacute;ssicos da opera&ccedil;&atilde;o &ndash; combust&iacute;vel, pneus, pe&ccedil;as, manuten&ccedil;&atilde;o &ndash;, mas deixam de lado uma s&eacute;rie de taxas e custos obrigat&oacute;rios impostos por lei para viabilizar o transporte, que tamb&eacute;m geram direito a cr&eacute;dito pelo mesmo crit&eacute;rio de essencialidade ou relev&acirc;ncia fixado pelo STJ. O exemplo mais recente &eacute; a Tarifa de Utiliza&ccedil;&atilde;o da Via (TUV), reconhecida como insumo credit&aacute;vel pela Receita Federal em mar&ccedil;o de 2026; a seguir, examinam-se o crit&eacute;rio que sustenta esse creditamento, o caso da TUV, outros custos obrigat&oacute;rios frequentemente ignorados e por que 2026 &eacute; o momento certo para revisar essas oportunidades antes da extin&ccedil;&atilde;o do PIS/COFINS em 2027.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Crit&eacute;rio que Sustenta Todo o Creditamento: Essencialidade ou Relev&acirc;ncia</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, no julgamento do REsp n&ordm; 1.221.170/PR, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 779), fixou o conceito de insumo para fins de cr&eacute;dito de PIS e COFINS com base nos crit&eacute;rios de essencialidade ou relev&acirc;ncia, superando a interpreta&ccedil;&atilde;o restritiva que limitava o creditamento a bens fisicamente consumidos no processo produtivo, nos moldes da legisla&ccedil;&atilde;o do IPI.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O crit&eacute;rio da relev&acirc;ncia &eacute; o mais sofisticado: n&atilde;o exige que o item seja fisicamente indispens&aacute;vel &agrave; atividade, bastando que sua aus&ecirc;ncia comprometa a qualidade, a legalidade ou a viabilidade da presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. O Parecer Normativo Cosit n&ordm; 5/2018 detalha essa aplica&ccedil;&atilde;o e reconhece expressamente que despesas exigidas por imposi&ccedil;&atilde;o legal podem caracterizar a relev&acirc;ncia do gasto para fins de creditamento, ainda que decorram de exig&ecirc;ncia regulat&oacute;ria e n&atilde;o de escolha do contribuinte.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para o setor de transporte rodovi&aacute;rio de cargas, essa interpreta&ccedil;&atilde;o abriu caminho para o reconhecimento de uma lista crescente de custos obrigat&oacute;rios &ndash; al&eacute;m dos insumos cl&aacute;ssicos como combust&iacute;vel, pneus e pe&ccedil;as &ndash; como geradores de cr&eacute;dito, desde que vinculados a uma exig&ecirc;ncia legal ou regulat&oacute;ria diretamente relacionada &agrave; execu&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Caso Mais Recente: a TUV e a Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Cosit n&ordm; 46/2026</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A Tarifa de Utiliza&ccedil;&atilde;o da Via (TUV) &eacute; exigida quando o peso bruto total combinado do ve&iacute;culo e da carga ultrapassa 74 toneladas, situa&ccedil;&atilde;o comum em opera&ccedil;&otilde;es com cargas indivis&iacute;veis e especiais, conforme a Resolu&ccedil;&atilde;o DNIT n&ordm; 11/2022 (arts. 44 a 47). O pagamento da TUV &eacute; requisito para a obten&ccedil;&atilde;o da Autoriza&ccedil;&atilde;o Especial de Tr&acirc;nsito (AET), exigida pelo C&oacute;digo de Tr&acirc;nsito Brasileiro para ve&iacute;culos com excesso de peso ou dimens&otilde;es.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por meio da Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Cosit n&ordm; 46, de 20/03/2026, a Receita Federal reconheceu a possibilidade de creditamento da TUV na apura&ccedil;&atilde;o do PIS e da COFINS no regime n&atilde;o cumulativo, aplicando o crit&eacute;rio da essencialidade ou relev&acirc;ncia fixado pelo STJ no Tema 779 e as diretrizes do Parecer Normativo Cosit n&ordm; 5/2018. A decis&atilde;o vincula-se &agrave; Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Cosit n&ordm; 153/2021, que j&aacute; havia reconhecido como insumo as despesas com a pr&oacute;pria AET e com escolta obrigat&oacute;ria.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O racional da Receita &eacute; direto: a TUV n&atilde;o decorre de escolha do contribuinte, mas de exig&ecirc;ncia regulat&oacute;ria &ndash; sem seu pagamento, o ve&iacute;culo n&atilde;o obt&eacute;m a AET e pode ser retido ou apreendido, nos termos dos arts. 187, 231, 232 e 237 do C&oacute;digo de Tr&acirc;nsito Brasileiro. Tratando-se de custo inafast&aacute;vel para a realiza&ccedil;&atilde;o da atividade em opera&ccedil;&otilde;es com cargas especiais, a TUV passa a compor a base de cr&eacute;dito da n&atilde;o cumulatividade.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Outros Custos Obrigat&oacute;rios que Costumam Ficar de Fora da Revis&atilde;o</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">Al&eacute;m da TUV, j&aacute; est&aacute; reconhecida a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre ped&aacute;gio, IPVA, emplacamento, licenciamento do ve&iacute;culo e kits de seguran&ccedil;a exigidos pela legisla&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito &ndash; tudo por decorr&ecirc;ncia da mesma l&oacute;gica de essencialidade e relev&acirc;ncia aplicada pelo STJ.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A C&acirc;mara Superior do CARF tamb&eacute;m j&aacute; reconheceu o direito ao cr&eacute;dito sobre despesas com rastreamento e monitoramento de ve&iacute;culos e cargas via sat&eacute;lite, por entender que esse controle &eacute; essencial &agrave; atividade e permite &agrave; transportadora preservar a qualidade e a seguran&ccedil;a do servi&ccedil;o prestado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, boa parte das transportadoras ainda restringe sua revis&atilde;o de cr&eacute;dito aos insumos f&iacute;sicos cl&aacute;ssicos &ndash; combust&iacute;vel, pe&ccedil;as, pneus, lubrificantes &ndash; e deixa de aproveitar, por anos seguidos, o cr&eacute;dito sobre taxas e despesas obrigat&oacute;rias recorrentes que atendem exatamente ao mesmo crit&eacute;rio jur&iacute;dico j&aacute; validado pelo STJ, pela Receita Federal e pelo CARF.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Que 2026 &eacute; o Ano de Revisar Antes da Virada para a CBS</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A partir de 1&ordm; de janeiro de 2027, as contribui&ccedil;&otilde;es PIS/Pasep e COFINS ser&atilde;o extintas e plenamente substitu&iacute;das pela CBS. Para preservar a neutralidade tribut&aacute;ria na transi&ccedil;&atilde;o, a Lei Complementar n&ordm; 214/2025 (arts. 378 a 383) assegura que os cr&eacute;ditos de PIS/COFINS remanescentes em 2027 &ndash; inclusive os n&atilde;o apropriados at&eacute; aquela data &ndash; continuar&atilde;o v&aacute;lidos, podendo ser usados para compensar a CBS, outros tributos federais, ou ser objeto de ressarcimento em dinheiro.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essa preserva&ccedil;&atilde;o legal, por&eacute;m, depende de os cr&eacute;ditos estarem devidamente escriturados na EFD-Contribui&ccedil;&otilde;es e amparados por documenta&ccedil;&atilde;o fiscal id&ocirc;nea. A doutrina j&aacute; alerta que &eacute; fundamental apurar e escriturar os valores recuper&aacute;veis antes da extin&ccedil;&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es, inclusive os apropriados de forma extempor&acirc;nea, tendo em vista poss&iacute;veis restri&ccedil;&otilde;es interpretativas da Receita Federal sobre cr&eacute;ditos de per&iacute;odos anteriores ap&oacute;s o in&iacute;cio do novo regime.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na pr&aacute;tica, isso significa que o cr&eacute;dito de TUV, ped&aacute;gio ou rastreamento pago nos &uacute;ltimos anos e nunca levantado n&atilde;o desaparece automaticamente em 2027, mas a janela pr&aacute;tica para identific&aacute;-lo, document&aacute;-lo e formalizar sua apropria&ccedil;&atilde;o na escrita fiscal se estreita &agrave; medida que o regime do PIS/COFINS deixa de operar &ndash; tornando 2026 o momento ideal para essa revis&atilde;o.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No transporte rodovi&aacute;rio, o problema raramente est&aacute; apenas no valor do frete negociado; frequentemente est&aacute; nos custos obrigat&oacute;rios que ningu&eacute;m revisa. Antecipar essa revis&atilde;o &ndash; enquanto o PIS/COFINS ainda opera e a documenta&ccedil;&atilde;o pode ser regularizada &ndash; &eacute; o que separa cr&eacute;dito recuperado de cr&eacute;dito perdido na virada para a CBS.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer&ecirc;ncias</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">STJ, REsp n&ordm; 1.221.170/PR (Tema Repetitivo 779).</p>
<p class="wp-block-paragraph">Receita Federal, Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Cosit n&ordm; 46, de 20/03/2026.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Receita Federal, Solu&ccedil;&atilde;o de Consulta Cosit n&ordm; 153/2021, e Parecer Normativo Cosit n&ordm; 5/2018.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Lei Complementar n&ordm; 214/2025, arts. 378 a 383.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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